2 Fevereiro, 2018
Posted in Imprensa
9 Novembro, 2006 Ricardo Vargas

Quem tem medo da avaliação?

In Executive Digest

Quem tem medo da avaliação?

 

Todos os que têm progressão automática na carreira por tempo de serviço e a defendem com unhas e dentes.

 

 

 

 

Os profissionais incompetentes que têm conseguido enganar colegas e chefes durante a maior parte da sua vida profissional e os outros que, não conseguindo enganar ninguém, gostariam de poder enganar-se a si próprios quanto às suas verdadeiras capacidades.

 

Os prestadores de serviço que chamam utentes aos clientes como forma de não lhes reconhecerem o direito a um serviço de excelência.

 

Os chefes que esmagam os colaboradores com a sua arrogância e estupidez, impedindo-os de demonstrar a competência que têm.

 

Os oportunistas que enganam meio mundo, enquanto não conhecem a outra metade.

 

Os políticos sem ideias nem escrúpulos, que sobrevivem da falta de memória, inteligência ou coragem dos eleitores.

 

Todos os que arranjaram um emprego por cunha e muitos dos que oferecem empregos por cunha.

 

Os que não dão um justo retorno em valor pelo salário que recebem.

 

Quem não quer que se saiba o que verdadeiramente faz.

 

Os empresários de vão de escada, que se mantêm no mercado enquanto ninguém os compara com outros.

 

Os profissionais da saúde que nem se apercebem do medo em reclamar que os seus clientes têm, por receio de retaliações que ponham em perigo a sua qualidade de vida.

 

Os juízes que não julgam, os professores que não dão aulas, os estudantes que não estudam.

 

Os pais que não se responsabilizam pela educação dos filhos e esperam que seja o governo ou a escola a fazê-lo.

 

Os subsídio-dependentes que não sabem desenvolver estratégias para encontrar os seus mercados.

 

Os que têm a arte na cabeça, ou o título de artista atribuído por “críticos especializados”, e desdenham de quem conta apenas com a sua criatividade e competência para se afirmar.

 

Os eternos comentadores de serviço que ninguém percebe porque são tão ouvidos, uma vez que não dizem mais do que banalidades repetidas à saciedade.

 

Os titulares de cargos públicos que se julgam acima da lei.

 

Todos os que não sabem como, quando, por quem, com que critérios e objectivos serão avaliados.

 

Quem teme que ela possa ser utilizada como forma de retaliação.

 

Todos os que não se conhecem, mesmo os que julgam conhecer-se.

 

Todos os que se conhecem mas não querem ser conhecidos.

 

Quem não tem qualidade e acredita que ter qualidade é uma opção.

 

Quem acredita que a globalização é evitável.

 

Quem recebe uma reclamação como se fosse uma ofensa pessoal.

 

Os que ligam a televisão enquanto esperam que alguém resolva os seus problemas, porque não acreditam neles próprios.

 

Os sindicalistas, sindicalizados e simpatizantes que pretendem forçar pessoas com competências e produtividades diferentes a conformar-se com uma ideia de igualdade absurda.

 

Os invejosos em geral, que gastam energia a comentar o sucesso dos outros em vez de trabalhar pelo seu.

 

Os funcionários públicos que estão a mais e não querem que se saiba quem são.

 

Os saudosistas do “a cada um conforme as suas necessidades”, os saudosistas do império perdido e os saudosistas de tempos mais fáceis em geral.

 

Todos os que duvidam da inteligência e intenções alheias.

 

Os que não aceitam as mudanças no mercado.

 

Quem acredita que os concorrentes estão a dormir.

 

Os defensores dos direitos adquiridos desde que sejam os seus e mesmo que vão contra os legítimos direitos dos outros.

 

Todas as pessoas em particular, e nenhuma em geral, que tomam decisões na sua vida profissional sem ter em atenção o impacto nos clientes, nos colegas, na empresa, no ambiente, na comunidade, no país, orientando-se para a satisfação das suas necessidades imediatas à custa do que quer que seja.

 

E se alguém sobrar que não tema a avaliação peço o favor de não deixar os medrosos acima pensarem que o seu medo é unânime e que estamos todos paralisados pela ideia de saber quanto vale o nosso trabalho, desde que isso seja feito de forma clara e justa, por pessoas preparadas e de acordo com metodologias validadas e sujeitas a escrutínio.

 

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