2 Maio, 2016
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8 Janeiro, 2007 Ricardo Vargas

O Tempo não se gere

In Executive Digest


Acredita na gestão do tempo? Se sim, está na hora de mudar de ideias…

 

O Tempo é uma dimensão na qual nos inserimos e existimos. É o Tempo que nos permite entender fenómenos como: o envelhecimento, o movimento, a permanência física dos objectos, as emoções, o desenvolvimento, a mudança, e dar um significado ao que nos acontece. Sem referência ao tempo não conseguimos comunicar. Quando falamos, fazemo-lo em tempos verbais. Como saber se um dado acontecimento já ocorreu, está a ocorrer ou é apenas uma expectativa, sem referência ao Tempo?

 

O Tempo estrutura a nossa identidade. Quando dizemos “eu sou…” apontamos geralmente para um passado onde concretizámos um conjunto de acções: um curso superior, um projecto bem-sucedido, uma realização pessoal. Quando dizemos “eu quero ser…” falamos de um conjunto de expectativas para o nosso futuro.

 

O Tempo já existia antes de nós, e continuará a existir depois. Sem que as nossas acções nele interfiram.

 

O Tempo não pode ser gerido simplesmente porque nos transcende. O que pode ser gerido é o conjunto de actividades que fazemos no tempo de que dispomos. Aquilo que chamamos gerir o tempo deve ser entendido como dar à vida uma forma por nós decidida, em vez de aceitar a forma que o acaso decide para ela. E para dar à vida essa forma, há três coisas que podemos fazer.

 

A primeira é decidir quais são as coisas certas. O que é que está no caminho dos nossos objectivos de vida e o que é que não está? O que é que contribui para sermos cada vez mais nós mesmos, da forma que desejamos? O que é que nos afasta disso? Só com uma clareza de metas e objectivos de vida conseguimos tomar decisões adequadas e ser mais produtivos. A segunda é fazer bem essas coisas, da forma mais eficaz e eficiente possível, sem desperdício de qualquer recurso. A terceira é fazê-lo as vezes suficientes, dedicando-lhes o tempo necessário para que produzam os resultados desejados.

 

A maioria das vezes, as abordagens à produtividade individual falham porque consideram apenas a vertente profissional do indivíduo. Tornam-se assim num mero conjunto de técnicas de planeamento e gestão de tarefas, sem significado no global da vida da pessoa. Não admira portanto que não funcionem. Não são percebidas como importantes para quem as aplica.

 

Outra das razões de falha é considerar que as pessoas tomam decisões puramente racionais, baseadas em factos e técnicas. Como se a produtividade fosse apenas uma questão de competências para saber gerir tarefas e prioridades. Pelo contrário, as atitudes individuais são o maior óbice aos ganhos desejados. Quantas vezes as pessoas conhecem as técnicas e sabem o que fazer, mas simplesmente não querem fazê-lo?

 

 

 

O Tempo já existia antes de nós, e continuará a existir depois. Sem que as nossas acções nele interfiram.

 

 

Se uma dada pessoa não valoriza o tempo enquanto recurso estratégico, dificilmente se aplicará em melhorar a forma como se relaciona, trabalha e produz. Interromper os colegas, gastar tempo em socialização ou outras actividades não produtivas será visto como aceitável por quem tem essa atitude.

Outra atitude assassina da produtividade é colocar o foco nos outros. “Eu melhoro se as outras pessoas implementarem coisas que me permitam melhorar.” Qualquer pessoa consegue modificar a sua vida com acções alheias, mas qual é a probabilidade de as acções alheias serem as que nós precisamos para dar à vida a forma que queremos?

 

A desresponsabilização pela produtividade individual revela fundamentalmente uma atitude de desresponsabilização pela própria vida. Só ajudando os colaboradores da empresa a entender isto se tornam possíveis ganhos significativos de produtividade. Afinal, o nosso tempo é a nossa vida, porquê desperdiçá-la?

 

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