14 Julho, 2018
Posted in Imprensa
22 Julho, 2020 Consulting House

O sucesso tem feito muitos vencidos…

 

O sucesso tem feito o fracasso de muitos homens.

Cindy Adams

 

É fácil o exercício de identificação de individualidades que nunca mais se levantam da queda que se segue a um período de sucesso. Isto é válido, quer pensemos em pessoas comuns, dentro ou fora das nossas relações mais próximas, quer pensemos em figuras com maior visibilidade pública, como empresários, políticos ou desportistas.

 

 

 

 

Porque é que isto acontece? Há seguramente inúmeras razões que o explicam, desde 1) a embriaguez motivada pelo poder, fama, visibilidade ou reconhecimento social, 2) a crença mágica de que uma vez atingido o sucesso, “o céu é o limite”, 3) as próprias perturbações de personalidade e/ou psicológicas de algumas destas pessoas, como o narcisismo ou a toxicodependência, 4) uma ética individual muito própria e desalinhada com a dos grupos sociais a que pertence, entre outras.

 

Adicionalmente, há outra razão para o sucesso ser precursor do insucesso: a crença no poder do talento inato. Se é inato, está lá e vai continuar a manifestar-se, não vai desaparecer.

 

Quando analisamos os resultados da investigação feita no domínio, o que se constata é que na base do sucesso estão aspectos predominantemente relacionados com as horas de treino e de preparação, e não tanto factores relacionados com talento inato, pronto a ser manifestado.

 

Um estudo realizado no princípio dos anos 90, coordenado pelo Psicólogo K. Anders Ericsson, na elitista Academia de Música de Berlin, com estudantes de violino, evidenciou que o treino de auto-aperfeiçoamento era o factor diferenciador dos intérpretes de elite. A todos os violinistas foi pedida a quantificação de horas de treino do instrumento, desde que tinham pegado pela primeira vez no violino até ao momento. O que se constatou foi que cada um dos intérpretes de elite, pelos 20 anos, havia já totalizado 10000 (dez mil) horas de treino. Os estudantes apenas “bons” acumulavam 8000 (oito mil) horas e os alunos que dificilmente viriam a tocar como profissionais (seriam prováveis professores de música) rondavam apenas as 4000 (quatro mil) horas.

 

Ericsson e a restante equipa estenderam o estudo a pianistas amadores e profissionais, tendo encontrado o mesmo padrão. Os investigadores não conseguiram encontrar quaisquer músicos “espontâneos” que tivessem fluido sem esforço até uma posição cimeira, praticando apenas uma parcela do que faziam os seus pares com êxito e projecção mundial. Também não encontraram ninguém que trabalhasse tanto ou mais do que os seus pares e não conseguissem estar entre os melhores.

 

A investigação coordenada por Ericsson revelou que quando se tem o nível de proficiência necessária para ingressar numa escola musical de alto nível, o que distingue as performances individuais é o número de horas que cada pessoa dedica ao treino. Os investigadores chegaram inclusive aquilo que consideram ser o “número mágico” da verdadeira proficiência: 10000 (dez mil) horas.

 

O neurologista Daniel Levitin sistematizou mais tarde o seguinte: “Estudo atrás de estudo, sobre compositores, basquetebolistas, escritores de ficção, patinadores de gelo, pianistas de concerto, xadrezistas, criminologistas e o que quiser, este número aparece reiteradamente. (…) Aparentemente o cérebro necessita deste período de tempo para assimilar tudo o que é preciso saber para atingira verdadeira mestria.”

 

A prática é, pois, o que necessitamos para nos tornarmos excelentes em algum domínio, mas é também o que necessitamos para nos mantermos excelentes nesse domínio e termos sucesso. Competências que deixam de ser exercitadas enfraquecem ou dissipam-se.

 

E você, já exerceu pelo menos 10.000 (dez mil) horas de liderança?

Artigo originalmente publicado a 7 de Novembro de 2017.

 

Outras Sugestões

,

Free eBook - Pandemic Lessons for Top Management Teams