28 Outubro, 2009
Posted in Imprensa
21 Agosto, 2017 Consulting House

Entrevista a Ricardo Vargas, co-autor do livro “Coaching: ir mais longe cá dentro”

Ricardo Vargas, CEO da Consulting House, é um dos autores do livro “Coaching: ir mais longe cá dentro” que vai ser lançado no próximo dia 17 de Maio para comemorar os 10 anos da International Coach Federation – ICF, em Portugal.

Consulting House (CH): Qual é o balanço que fazes destes 10 anos da ICF em Portugal?

Ricardo Vargas (RV): Muito positivo. Penso que a ICF deu os primeiros e mais importantes passos para estabelecer em Portugal uma imagem e credibilidade enquanto maior associação certificadora de coaches e de cursos de coaching mundial. Era uma credibilidade já firmada internacionalmente, mas que não estava conseguida cá. Prova disso é o número crescente de clientes que confiam na certificação pela ICF e de coaches que se certificam pela ICF.

Sinto, no entanto, que ainda há bastante para fazer. Nomeadamente, ajudar os clientes a distinguir as certificações profissionais, como a da ICF, que são atribuídas por uma entidade global independente, supra escolas ou modelos de coaching, de certificações que se “compram” com um curso de 60 horas de coaching, feito aos fins-de-semana. Uma pessoa que saia desse curso, também se diz certificada em coaching, mas não tem nada a ver, nem em termos de rigor metodológico, nem de ética profissional. Temo que o público em geral, e os responsáveis empresariais por comprar coaching ainda não tenham isto claro.

Durante muitos anos, pensou-se no mercado que um bom coach era alguém que tivesse vindo da profissão a quem fazia coaching. Assim, um ex-responsável comercial seria um coach de vendas, por exemplo. Isto mostra que a profissão de coach ainda não está bem definida para as pessoas. Este é o percurso de esclarecimento que ainda falta percorrer, a todos nós coaches e à ICF.

CH: Como comparas a tua experiência enquanto coach profissional em Portugal e na Europa? O que distingue a prática da profissão aqui e lá fora?

RV: Os meus clientes são empresas e o meu trabalho é sobretudo com níveis de topo (CEO’s, Presidentes, Directores Gerais, Directores). Faço Executive Coaching e coaching de Eficácia de Equipas de Gestão.

A maior diferença que noto é que os meus clientes internacionais – e isto inclui Directores Gerais expatriados em Portugal – são mais receptivos a trabalhar o coaching de equipas de gestão do que os nacionais. Utilizamos um modelo de assessment e desenvolvimento de eficácia que nos permite diagnosticar exactamente quais são as barreiras ao desenvolvimento da equipa de gestão a trabalhar no coaching. É uma metodologia inovadora na Europa e os clientes europeus aderem mais rapidamente à inovação. O próprio conceito de “equipa de gestão” suscita muitos mitos e ideias feitas ainda existentes em Portugal.

CH: Como por exemplo?

RV: Os mitos mais comuns são que quando se cria uma equipa de gestão eficaz, se perde autoridade, se dilui a responsabilidade e se dificulta acções mais directivas quando necessário. Confunde-se gestão eficaz em equipa com “sermos amigos”. Não tem nada que ver com isso.

Os meus clientes internacionais são mais sensíveis aos números do que às emoções. E os números são claros. A gestão de topo em equipas eficazes está directamente relacionada com os rácios financeiros da empresa, a capacidade de uma empresa liderar o seu mercado, nomeadamente na introdução de disrupções tecnológicas, a viabilidade da sua estratégia, entre outras dimensões mais concretas de negócio.

CH: És um dos 24 coaches profissionais autores deste livro comemorativo. Desvenda-nos um pouco do que falas no teu capítulo.

 RV: O meu capítulo é sobre os benefícios do coaching. Faço um resumo dos últimos 10 anos de investigação sobre os diferentes tipos de impacto do coaching: quantitativos e qualitativos. Desde mudanças na personalidade dos coachees até ao retorno do investimento em coaching. Penso que é muito importante que o público em geral, os responsáveis de RH e os coachees entendam que o coaching feito por profissionais qualificados e eticamente balizados, pode ser uma ferramenta de desenvolvimento profissional inestimável.

Além da investigação, partilho alguns casos pessoais de executive coaching.

CH: Mais do que um livro que marca uma era da ICF em Portugal, o que podem os leitores esperar deste livro?

 RV: Um livro que vai de certeza aprofundar o que sabem sobre coaching. Este livro foi escrito pela nata dos coaches em Portugal. No caso da Consulting House, temos dois coaches presentes. Trata-se das pessoas com mais experiência de coaching no país.

É importante dizer também que este livro é único na ICF em termos mundiais. Nunca foi feito um livro de forma cooperativa pelas pessoas acreditadas pela ICF em nenhum país. Estamos a fazer história.

CH: Obrigada Ricardo.

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