10 Julho, 2018
Posted in Entrevistas
2 Fevereiro, 2009 Ricardo Vargas

A vida a prestações

In Human Resources Portugal

O equilíbrio entre a vida privada e a profissional é um tema actual. Proporcionar actividades de suporte à vida privada dos colaboradores é o caminho seguido por um número crescente de empresas. Faz bem à imagem manifestarem-se a favor do worklife balance. Em Inglês ainda fica melhor.

 

Creches e actividades de tempo livre para os filhos dos funcionários, lavandaria, refeições prontas, transportes, aulas de ioga, cursos de desenvolvimento pessoal, consultas médicas – a lista tem o limite da imaginação.

A flexibilidade de poder trabalhar remotamente também ajuda. Um computador portátil com ligação à internet, um acesso remoto ao servidor da empresa e um telemóvel com e-mail fazem milagres pela produtividade.

Estamos sempre acessíveis, sempre presentes. Onde quer que estejamos, o trabalho está lá. Podemos organizá-lo como quisermos. Mas para a maioria das pessoas isso significa apenas mais trabalho e uma sensação opressiva de nunca poder desligar-se. A possibilidade de encontrar um equilíbrio nunca se concretiza apesar dos horários flexíveis e dos serviços oferecidos.

É difícil colocar os limites no sítio certo. Onde estão o “já basta de trabalho” e o “vou dar atenção aos meus filhos”? Onde acaba o “quero chegar ao topo da carreira” e começa o “vou ao ginásio hoje”?

Cada vez mais pessoas se queixam de que no momento de decidir onde aplicar o seu tempo o trabalho leva mais do que gostariam. Porquê, se a decisão é sua?

Porque enquanto todas as pessoas produtivas têm claros os objectivos da empresa para a sua função, pouquíssimas pessoas têm claros os objectivos para a sua vida privada.

Está satisfeito com a sua saúde? Gostaria de emagrecer, resolver problemas físicos, melhorar a forma? Tem os exames médicos em dia?

Está satisfeito com a qualidade das relações que tem com as pessoas que lhe são significativas? Identificou aspectos a melhorar na forma como comunica com elas? Tem questões do passado por resolver? Dedica tempo suficiente a quem lhe é importante?

Tem atitudes que o impeçam de ser mais feliz, de realizar trabalho mais produtivo e satisfatório? Sente-se por vezes limitado por si próprio? O seu nível de educação permite-lhe acesso às oportunidades que deseja? Há cursos que deveria frequentar para chegar a elas?

E quantos objectivos definiu com prazo limite, forma de medição e plano de acções escrito para as coisas que sabe que tem de fazer com base nas perguntas anteriores?

Tudo o que obtemos na vida é pago em prestações de tempo. Trocamos dias de actividade por resultados. E o tempo dedicado a uma área da vida não pode ser gasto na outra.

No momento de tomar a decisão de como usar a próxima hora, todas as actividades cujo resultado imediato é claro são consideradas mais prioritárias do que as que têm resultados difusos. Se eu não responder a este e-mail o chefe reclama. Mas se não conversar com os meus filhos eles não se queixam. E se não for ao ginásio hoje não acontece nada de mal no imediato.

Quando não temos objectivos e planos de acção escritos para a vida privada não nos apercebemos das consequências futuras de não realizar hoje as actividades que são importantes. Por isso, adiar o privado parece sempre mais barato do que adiar o profissional. Basta pôr na conta de amanhã tudo o que não sabemos quanto custa.

Vivemos em prestações diárias sem saber quando acaba o saldo.

Faça bem as contas do retorno de cada hora e aplique-a responsavelmente. O tempo que está a gastar é seu e não o pode repor.

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