25 Maio, 2020
Posted in Imprensa
1 Abril, 2011 Ricardo Vargas

A globalização de competências

In Human Resources Portugal

A globalização tornou-se palavra mágica no mundo dos negócios.

A cada vez mais livre circulação de pessoas, bens e serviços e a progressiva desregulamentação dos fluxos de capital, deliberada ou oportunisticamente imposta aos governos, fazem com que a ninguém escape o lado agressivo da coisa: deslocalização de fábricas, variações abruptas em investimento directo estrangeiro, “bolhas” em sectores económicos que “rebentam” ao mesmo tempo em vários países, são exemplificados pela contaminação multinacional da crise do subprime e pelos recentes ataques especulativos contra várias economias europeias e contra o Euro.

Há, no entanto, uma dimensão menos evidente e mais constante em funcionamento neste fenómeno. Quanto mais livremente os investidores possam escolher onde colocar o seu capital, mais forte será a concorrência entre pessoas de diferentes países pelos mesmos postos de trabalho.

Já não estamos a competir com os vizinhos da rua, com os concidadãos do país ou com os parceiros de continente. Competimos com pessoas e empresas que podem estar física ou virtualmente em qualquer parte do planeta. O mundo inteiro quer o nosso lugar no mercado.

A Globalização de Competências em curso impõe que pessoas com competências idênticas compitam pelos mesmos empregos, onde quer que habitem. Se for possível contratar três especialistas na Índia, pelo salário que pagaria a um na Alemanha, e o local onde eles realizam o trabalho não afectar o processo produtivo da minha empresa, o que vou fazer? Qualquer empresa que queira ser competitiva sabe a resposta.

Um corolário da Globalização de Competências é que pessoas com competências idênticas tenderão a ganhar salários idênticos, independentemente do local onde habitem. Para um nível de competências específico no desempenho de uma função, os salários tenderão a descer nos países onde forem mais elevados e a subir nos países onde forem mais baixos, até se encontrar um ponto de equilíbrio.

Os salários das bandas baixa e média estão sob pressão no mundo desenvolvido porque é possível contratar essa gama de competências cada vez mais barato. Quando não há evolução de competências, há redução de salário. Tal como o valor do algodão, do petróleo e do ouro têm referências globais de cálculo, assim terão as competências de um engenheiro, médico ou electricista.

Cada trabalhador do mercado global tem de decidir que competências desenvolver para aumentar ou manter o seu salário. Ou aceitar a deslocalização para locais onde as suas competências sejam melhor remuneradas.

Para que os países industrializados continuem a desenvolver-se, precisam de resolver dois problemas interligados: atrair pessoas qualificadas em áreas de elevada especialização e atrair o investimento que permita criar empregos para elas. Se houver desequilíbrio na distribuição de competências, o investimento flui para onde elas estão. Se houver desequilíbrio na distribuição de investimento, as competências fluem para onde ele está.

A relação entre investimento e competências é um sistema cujo equilíbrio é ditado pelo mercado. Manipulando as políticas educativas, a legislação laboral, o modelo de fiscalidade, o investimento em sectores específicos para atrair as pessoas e o investimento desejados, os governos pouco mais fazem do que gerar expectativas que podem ou não ser cumpridas pelos agentes económicos. Reconhecer a realidade é um bom passo para lidar com ela de forma produtiva.

Se não sabemos o que fazer com as pessoas competentes que formámos, felizmente para elas haverá sempre quem saiba.

 

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