Prevenção dos riscos psicossociais e locais de trabalho saudáveis


Pode o desenvolvimento de competências agir como factor de redução de riscos psicossociais*? Podem os profissionais aprender competências através da formação que lhes permitam promover locais de trabalho mais saudáveis? O que compete à organização e ao indivíduo na gestão do risco psicossocial? Foi para responder a estas questões que Ricardo Vargas apresentou uma comunicação à Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Hematologia, no passado dia 19 de Novembro, em Espinho.
 
O CEO da Consulting House iniciou a sua apresentação com um resumo do estado actual da prática de gestão de riscos psicossociais. Em primeiro lugar, as abordagens de prevenção de risco psicossocial são habitualmente incompletas por abordarem apenas riscos já existentes, ou actualmente previstos. Tendem também a focar-se mais na responsabilidade da organização em gerir e mitigar o risco, vendo o indivíduo como sujeito passivo do processo. E finalmente, quando promovem o desenvolvimento de competências dos profissionais como forma de prevenção, este é focado em competências específicas, que funcionam apenas para um tipo de risco, não sendo generalizáveis a outros.
 
Vargas parte do princípio que ninguém melhor do que o próprio consegue identificar como e em que grau os diferentes tipos de risco psicossocial o vão afectar. E que, por isso, a melhor estratégia é dar ao indivíduo as metodologias adequadas a uma gestão individualizada dos mesmos, em complemento das acções que sejam específicas da empresa.
 
Partilhando a sua experiência como formador e investigador em Psicologia do Trabalho e das Organizações, Vargas demonstrou que é possível capacitar os indivíduos para identificarem os factores de risco antes de acontecerem, e estabelecerem eles próprios planos de prevenção primária e secundária para a melhor gestão possível dos mesmos. Mostrando casos práticos e resultados de investigação realizada em empresas, por si próprio e por outros profissionais, demonstrou como a formação adequada coloca o indivíduo no comando da sua vida profissional, contribuindo para a promoção de um local de trabalho saudável.
 
Assim, investindo em formação comportamental específica as empresas conseguem resultados ao nível do indivíduo e da organização como um todo.
 


 
*Exemplos de riscos psicossociais: stresse; mudanças de processos, tecnologia e organização; resultados deficientes; insegurança no posto de trabalho; cargas de trabalho excessivas; assédio psicológico ou sexual; má gestão; práticas de liderança inadequadas.



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