QUÃO EFICAZ É A DIZER NÃO?


Por Luís Ferreira e Amie Gavinho

Considera-se uma pessoa com facilidade em dizer "não” às outras pessoas, ou sente muita dificuldade em fazê-lo? Já alguma vez parou para se questionar o quão eficaz é nessa tarefa? Convidamo-lo/a, neste momento, a testar a sua capacidade de dizer "não”:

1 - Raramente   |   2- Por vezes   |   3 – Quase sempre
 
  1. Com que frequência diz "não” a pedidos de outras pessoas?
  1. Quando diz que "não”, tem claras as razões por que o faz?
  1. Quando diz "sim” a pedidos, tem consciência do que cumprir essa promessa implicará?
  1. Com que frequência despende o seu tempo a realizar tarefas/actividades que são da sua responsabilidade?
  1. Agradece o pedido antes de o recusar?
  1. Quando diz "não” a algum pedido explica a razão da recusa, de forma directa, honesta e sem entrar em detalhes?
  1. Quando recusa um pedido demonstra na mesma apreço / valorização pelo que a pessoa faz?
  1. Quando diz "não” a alguém, propõe uma alternativa para que a pessoa consiga atingir o seu objectivo?
 
Some, agora, a sua pontuação de acordo com as respostas dadas. Se obteve uma pontuação igual ou inferior a 16, é provável que ainda não seja eficaz a dizer "não”. Se, por outro lado, a sua pontuação foi superior a 16, significa que, provavelmente, consegue dizer "não” de forma consciente e eficaz. Em ambos os casos, há sempre espaço para melhorar esta capacidade. Neste artigo, damos-lhe algumas dicas de como chegar ao próximo nível de competência no "não”.

Defina as suas prioridades. Dizer "não” às outras pessoas pode ser desconfortável por diversas razões, por isso acedemos muitas vezes aos seus pedidos para reduzir esse mesmo desconforto. Mas a verdade é que dizer "sim” também tem as suas implicações. Deste modo, é importante que identifique o que é importante para si e defina quais são as suas prioridades e a sua visão a longo prazo, para que possa ter claro quais devem ser os seus "nãos” e para que os seus "sims” contribuam para aquilo que realmente quer, independentemente dos constrangimentos. Quando lhe fizerem um pedido, faça o seguinte exercício: qual a resposta que me levará mais perto dos meus objectivos: o sim, ou o não? 

Mais do que aceitável, dizer "não” é um direito. Pensamos que estamos a ser mal-educados ou pouco prestáveis quando dizemos "não”, mas esses receios são muitas vezes criados por nós próprios. Na maior parte das vezes as outras pessoas compreenderão a recusa e nada de mal resultará da mesma. Por vezes, as relações podem até melhorar, pois estamos a ser mais honestos com a outra pessoa. Dizer "não” faz parte da vida, e tem o direito de o usar quando necessário. Não se esqueça que tem o direito de proteger a sua vida, de ter em conta os seus interesses, de ter tempo para si,… Dizer "não” pode permitir que usufrua desses direitos.

Seja honesto, dê um motivo mas…keep it simple. Apresentar uma razão sincera para a recusa poderá fazer a diferença, mas os seus detalhes não. Por vezes um simples "não, tenho algo mais prioritário no momento” é suficiente. Não é necessário explicar demasiado o porquê, pois não tem a obrigação de se justificar. Se se lembrar que o "não” é um direito seu, saberá que apresentar um motivo de forma simples e honesta será suficiente.

Seja apreciativo e respeitoso. Quando alguém nos pede algo, significa que confia em nós para essa tarefa e que reconhece o nosso valor. Por isso, veja sempre um pedido como algo positivo e agradeça-o. Se tiver que o recusar, lembre-se que é o pedido que está a recusar e não a pessoa em si. Deixe isso claro para a outra pessoa, sendo respeitoso e grato na forma como recusa o pedido. Não é o acto de dizer "não” que tem maior impacto, mas sim a forma como o diz.

Proponha uma alternativa. Sempre que possível, procure dar uma alternativa à outra pessoa. Se achar que não é a pessoa correcta para o pedido, proponha alguém que ache mais ajustado. Se o timing não lhe é favorável, proponha outro momento. Com esta atitude demonstra interesse genuíno em ajudar a outra pessoa, sem atropelar as suas prioridades e sem ficar com a responsabilidade de outros.

Pratique o "não”. Practice makes perfect. Quanto mais estiver habituado a dizê-lo, mais facilmente o fará quando sentir necessário. Pratique dizer "não” em situações fáceis e de baixo risco. Experimente-o com empregados de mesa, com alguém que o aborde na rua,… Fortaleça o seu "músculo do não” e verá que o vai ajudar quando a situação for mais complexa.

Esteja preparado para perder algo. Dizer "não” pode, por vezes, significar perder oportunidades. Terá que estar preparado para isso, mas, sobretudo, deve entender o "não” como uma troca. Ao dizer não a algo, está a dizer "sim” a outra coisa. Se seguiu o nosso conselho e tem as suas prioridades bem definidas, provavelmente essa outra coisa é algo que tem ainda mais valor para si do que a oportunidade em mãos.

Dizer "não” será sempre um desafio e é provável que nunca se sinta completamente confortável em fazê-lo. Mas, se tiver em conta as dicas que lhe acabámos de apresentar, irá com certeza ser mais eficaz, colher os benefícios a longo prazo dessa prática e perceberá que esse é um desconforto necessário e que, no final do dia, vale a pena. Por isso, encha-se de coragem e diga "sim” a dizer "não”! 


voltar