O MELHOR DE MIM


Por Ana Cruz e Amie Gavinho

Imagine um clube de futebol que está a querer contratar um determinado jogador. A decisão de contratação passa pelo quê? Pela avaliação do potencial ou pelo que o jogador já alcançou na sua pequena ou grande carreira?
Ou,
Imagine que está a contratar um novo comercial para reforçar a sua equipa de vendas. Decide contratar uma pessoa para esta função com base no quê? Na sua percepção do que será o potencial daquela pessoa no futuro ou pelos resultados que já alcançou no passado?

Talvez intuitivamente responderia: "Uma decisão baseada nos resultados e/ou conquistas, claro.” Será? Será assim tão linear?

O artigo "The Preference for Potencial” de Tormala, Jia & Norton (2012), após a realização de oito estudos, tornou evidente algo que já tinha sido relatado na literatura. Nós, humanos, temos uma preferência, em geral, para formar as nossas opiniões com base no potencial.
O potencial, por ter uma componente de incerteza, faz com que nos sintamos muito mais atraídos e, torna-nos mais expectantes na confirmação desta hipótese que criámos de futuras conquistas. Quando fazemos as nossas escolhas com base em resultados prévios, a nossa incerteza no alcance dos resultados esperados diminui o que, por um lado, atenua a nossa percepção de "risco”, mas, por outro, diminuiu a atractividade desta via.

Para responder às questões colocadas no início, e contrariamente à resposta intuitiva, embora a escolha pelo potencial nos traga mais incertezas é também mais interessante e desafiante, aumentando o nosso envolvimento e satisfação final, enquanto recrutadores, quando o sucesso previsto é confirmado.

Ora, não descurando a componente dos resultados e conquistas, vale a pena focar os nossos esforços para trabalhar mais o nosso potencial e torná-lo cada dia mais atractivo aos olhos dos que nos rodeiam. A literatura explora inúmeras ofertas em estilo de quizz para avaliarmos até que ponto estamos a desenvolver ou a maximizar as nossas competências. Até que ponto estamos a utilizar todo o nosso potencial. Alguns sinais de alerta que poderão sugerir que alguém não está aproveitar todo o seu potencial são:

  • Não se sentir frequentemente desafiado(a).
  • Não pensar numa perspectiva de melhoria contínua naquilo que faz (ex: não procurar formas de agilizar processos de trabalho).
  • Não procurar aprofundar o seu know-how através de investigação sobre um determinado tema, formação, etc.
  • Não pedir/valorizar o feedback que lhe é dado por outros.
  • Não aprender com os erros. Não reconhecer nos erros oportunidades de crescimento e aprendizagem futura.

"It's never too late to start over. If you weren't happy with yesterday, try something different today. Don't stay stuck. Do better.”
- Alex Elle

Está nas mãos de cada um de nós fazer melhor a cada dia. Devemos explorar de forma contínua o nosso potencial e desenvolver o potencial dos que nos rodeiam, sejam eles colaboradores, pares, filhos ou parceiros. O nosso dever é fazer sempre melhor, amanhã.


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